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O papel dos migrantes na força de trabalho e no desenvolvimento global é cada vez mais vital

Berlim – O número de migrantes na força de trabalho em todo o mundo triplicou na última década, e as remessas que eles enviam a países de baixa – e média - renda já ultrapassam a ajuda externa, mostra o novo relatório do Centro de Análise de Dados sobre Migração Global da OIM (GMDAC, na sigla em inglês).

O relatório de 2021 dos Indicadores de Migração Global (GMI, em inglês) oferece resumos dos últimos dados disponíveis no Portal de Dados da Migração Global, um ponto de acesso a estatísticas de migração e informações sobre dados migratórios, com mais de 115 indicadores.

O relatório mostra que trabalhadores migrantes desempenham um papel cada vez mais importante para o desenvolvimento de muitos países de baixa – e média - renda (LMICs, na sigla em inglês). O dinheiro que os migrantes mandam para casa do país de acolhida já ultrapassou o investimento externo direto e a assistência internacional para o desenvolvimento dos LMICs desde 2018, de acordo com estimativas do Banco Mundial. Em alguns países - incluindo El Salvador, Líbano, Quirguistão, Tajiquistão e Tonga – essas remessas constituíram mais de 25% do PIB total em 2020.

“A disponibilidade de dados atualizados e confiáveis podem nos ajudar a maximizar o potencial da migração para o desenvolvimento,” afirmou a Vice-Diretora-Geral de Operações da OIM, Ugochi Daniels.

“Muitos desses desafios que pessoas em movimento enfrentam diariamente, especialmente os mais vulneráveis, como vítimas de tráfico e mulheres e crianças, são espantosos. Este relatório enfatiza, dentre muitos elementos, as valiosas contribuições dos migrantes em nossas comunidades e economias, e a necessidade por ações concretas para aumentar canais e medidas de proteção legais para enfraquecer as redes de contrabando e tráfico.”

O relatório - lançado na última quinta-feira, 16, seguindo a celebração do quarto ano do Portal nesta semana – mostra tendências de informações e percepções sobre mais de uma dúzia de tópicos sobre migração, incluindo trabalhadores migrantes, os impactos da COVID-19 na mobilidade humana, e futuras tendências migratórias.

O relatório enfatiza a demanda cada vez maior por mão-de-obra migrante, como mostrado pelos muitos migrantes em cargos considerados ‘essenciais’ durante a pandemia. De acordo com os últimos dados disponíveis da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por exemplo, médicos estrangeiros correspondem a 33% do total no Reino Unido. A dependência de trabalhadores da saúde estrangeiros é similar em outros países de alta-renda, como nos EUA, na Alemanha, França, Espanha e Itália.

Em todo o mundo, trabalhadores migrantes chegam a quase 170 milhões, de acordo com as últimas estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), um número mais de 3 vezes maior do que os 53 milhões de trabalhadores estrangeiros em 2010. Diferentemente do número de migrantes totais, que permanece relativamente estável em comparação com a população mundial, trabalhadores estrangeiros desempenham um papel cada vez maior na força de trabalho.

Migrantes compõem uma estimativa de 5% de toda a força de trabalho hoje, comparado com menos de 2% em 2010. “Em meio à celebração do Dia Internacional do Migrante nesta semana, este relatório surge como um claro lembrete do papel dos migrantes no desenvolvimento de suas comunidades ao redor do mundo,” afirmou o Diretor da GMDAC da OIM, Frank Laczko.

“Mas enquanto a economia global continua a depender fortemente de trabalhadores migrantes, pessoas continuam enfrentando riscos terríveis quando não conseguem acessar os caminhos legais na busca por melhores oportunidades.”

Embora políticas migratórias sejam difíceis de medir, os dados disponíveis mostram uma tendência de limitar essas opções de migração legais e seguras. Dados da Análise de Política e Legislação de Migração Internacional (IMPALA, em inglês) nos países da OCDE revelam uma tendência em direção a políticas migratórias cada vez mais restritivas desde pelo menos a década de 1990, de acordo com o relatório. Isso ecoa a evidência dos Indicadores de Governança Migratória (MGI, em inglês) da OIM.

Dos países participando das avaliações do MGI, 81% têm pelo menos um corpo governamental dedicado à segurança e controle de fronteira, mas apenas 38% têm uma estratégia nacional de migração, com um número ainda menor, 31%, alinhando-a com sua estratégia nacional de desenvolvimento econômico.

Durante os últimos 12 meses, o Portal de Dados Migratórios recebeu mais de 2 milhões de visualizações únicas e mais de 1,3 milhão de usuários. Desde o lançamento, o Portal recebe apoio financeiro de Estados-Membros da OIM, incluindo os governos da Alemanha, Suíça e Estados Unidos, bem como financiamento sem destino determinado oferecido à OIM, internamente alocado por meio do Comitê de Alocação de Recursos para Migração (MIRAC, em inglês).

Para mais informações, entre em contato com GMDAC da OIM:

Julia Black, Tel: +4915903447446, E-mail: jblack@iom.int

Jorge Galindo, Tel: +491601791536, E-mail: jgalindo@iom.int

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