UNAIDS, OIM: pessoas em movimento que vivem com HIV devem ter acesso a vacinas contra a COVID-19

Médico realiza uma consulta com um paciente com HIV em uma clínica de reabilitação da OIM em Áden, Iêmen. Foto: OIM 2020/Majed Mohammed.

Genebra, Suíça – Migrantes, refugiados, deslocados internos, populações móveis e populações afetadas por crises que estão vivendo com HIV devem ter acesso igualitário às vacinas contra a COVID-19, afirmaram, na quinta-feira (24), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Pessoas em movimento costumam ser mais vulneráveis a doenças, incluindo a COVID-19 e o HIV. Além disso, as pessoas que vivem com HIV, ou que são afetados por ele, assim como os migrantes, geralmente experenciam desigualdades significativas. Frequentemente enfrentam riscos sanitários devido a processos migratórios mais arriscados, situações precárias de moradia, condições de trabalho perigosas, bem com uma falta de informação geral, estigma, discriminação e isolamento. Migrantes e pessoas deslocadas também enfrentam um grande número de obstáculos administrativos, financeiros, geográficos, sociais e culturais no acesso regular à saúde ou na continuidade de cuidados médicos após o cruzamento de fronteiras – incluindo o acesso a tratamento para o HIV. 

Durante a pandemia, mediante um quadro de crescente xenofobia e discriminação, alguns migrantes vivendo com HIV se viram diante de um triplo estigma relacionado à (1) testar positivo para COVID-19, (2) ter status de HIV positivo, e (3) ser migrante, o que muitas vezes causa sérias consequências negativas para sua saúde mental. Para muitos migrantes e pessoas deslocadas vivendo com HIV e outras doenças autoimunes ou sob o risco de contrair HIV, a exposição ao risco aumentou ao passo que houve uma diminuição na disponibilidade de serviços para HIV. 
 
“Para acabar com desigualdades e direcionar a resposta global ao HIV no caminho certo a fim de alcançar o objetivo de acabar, até 2030, com a AIDS como uma ameaça de saúde pública, devemos agir imediatamente para reduzir as desigualdades vivenciadas pelos migrantes e pelas populações em movimento. Isso inclui total acesso a serviços de prevenção ao HIV e a tratamentos e vacinas contra a COVID-19,” afirmou Winnie Byanyima, Diretora Executiva da UNAIDS, à frente da 48ª reunião da Junta de Coordenação do Programa do UNAIDS, que irá acontecer esta semana em Genebra, Suíça. Será apresentado no encontro um relatório de progresso sobre serviços para HIV para migrantes e populações móveis, bem como para refugiados e populações afetadas por crises.  
 
“Tanto a resposta global à AIDS quanto a resposta à COVID-19 estão deixando milhões de pessoas para trás, incluindo muitos migrantes e pessoas obrigadas a se deslocar,” afirmou o Diretor-Geral da OIM, António Vitorino. “Vimos que negligenciar as necessidades de saúde de grupos marginalizados pode ser devastador para comunidades. Juntos, todos os países devem se comprometer a não deixar isso acontecer novamente.” 
 
Em 8 de junho, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a Declaração Política sobre HIV e AIDS de 2021, que menciona especificamente migrantes, refugiados e pessoas internamente deslocadas e afirma o compromisso dos governos de garantir que “95 por cento das pessoas vivendo com HIV, sob o risco de contraí-lo ou afetadas pelo vírus sejam protegidas contra pandemias, incluindo a da COVID-19.” Para mitigar e tratar a COVID-19 e o HIV, é crucial manter um alto padrão de serviços de saúde e proteção, junto com o compartilhamento de informações acessíveis e difundidas. 

A OIM e o UNAIDS urgentemente pedem a governos que tomem ações concretas para garantir que campanhas de vacinação nacionais contra a COVID-19 incluam todos os migrantes com comorbidades como o HIV, em alinhamento com recomendações de prioridades da OMS, e que sejam feitos todos os esforços para remover barreiras que muitos deles ainda enfrentam ao acessar serviços de saúde, incluindo estigma e discriminação.   
 
As duas organizações, que são parceiras formais desde 2011, estão expandindo sua duradoura parceria para tratar das múltiplas formas de exclusão enfrentadas por migrantes, refugiados, populações afetadas por crises e outras populações móveis que vivem com HIV, e seguem firmes para apoiar países em seus esforços na recuperação da COVID-19, e com o compromisso global de acabar com a AIDS até 2030, por meio de programas de saúde igualitários e inclusivos, alinhados com os princípios de cobertura universal de saúde.