Tráfico de pessoas: OIM e Microsoft lançam a maior base de dados pública sobre o tema

GENEBRA / NOVA IORQUE - A Organização Internacional para as Migrações (OIM) lançou, nessa quinta-feira (23), uma nova base de dados sobre tráfico de pessoas, possibilitado pela inovadora tecnologia desenvolvida em parceria com a Microsoft Research. Este banco representa a maior coleção de dados primários de casos de tráfico humano já disponibilizados ao público, ao mesmo tempo que permite fortes garantias de privacidade que preservam o anonimato e a segurança de vítimas e sobreviventes.   
 
A Base de Dados Sintéticos Global, disponível para download, foi lançada por meio da plataforma Counter Trafficking Data Collaborative (CTDC) (Dados Colaborativos Contra o Tráfico, em tradução livre) - o maior portal de dados globais sobre tráfico de pessoas – e representa informações de mais de 156 mil vítimas e sobreviventes de tráfico em 189 países e territórios (onde as vítimas foram inicialmente identificadas e apoiadas). 

Ela oferece, em primeira mão, informações cruciais sobre o perfil sociodemográfico das vítimas, os tipos de exploração e o processo do tráfico, incluindo meios de controle usados com as vítimas - informações vitais que são necessárias para melhor assistir os sobreviventes e indiciar os criminosos. 
 
A nova tecnologia possibilitou ao CTDC compartilhar mais dados e permitir que mais pesquisas eficazes sejam realizadas enquanto protege a privacidade e as liberdades civis. O acesso a informações adicionais dos registros dos casos das vítimas permitirá que os atores-chave desenvolvam um entendimento mais amplo deste crime e das necessidades das pessoas sobreviventes.  


Elisabeth, dezesseis anos, se lembra de ter sido traficada aos 12 anos. Foto: OIM/ Lauriane Wolfe 

 
“Disponibilizar amplamente os dados sobre o tráfico de pessoas para os atores-chave de maneira segura é crucial para desenvolver respostas baseadas em evidências”, disse o Coordenador de Programas na Divisão de Assistência e Proteção Migratória, Harry Cook. 
 
“Os dados administrativos sobre os casos identificados de tráfico de pessoas representam uma das principais fontes disponíveis, mas essas informações são altamente sensíveis. A OIM teve o prazer de trabalhar com a Microsoft Research nos últimos dois anos para avançar no crítico desafio de compartilhar esses dados para análise e, ao mesmo tempo, proteger a segurança e a privacidade das vítimas.” 

A Microsoft Research trabalhou com a OIM para desenvolver um novo algoritmo para derivar "dados sintéticos" dos dados confidenciais do CTDC sobre os casos das vítimas . Em vez de eliminar casos sistematicamente, o que resulta em uma quantidade substancial de dados sendo suprimidos, o algoritmo gera uma base de dados sintéticos que preserva com precisão as relações e propriedades estatísticas nos dados originais. 

No entanto, os registros da base de dados sintéticos não correspondem mais a indivíduos reais, e cada um é construído inteiramente a partir de combinações de atributos comuns. Isso significa que nenhuma das combinações de atributos na base de dados sintética pode ser vinculada a indivíduos distintos (ou mesmo a pequenos grupos de indivíduos distintos) na base de dados confidenciais ou no mundo em geral. Dados representativos de todas as vítimas dos casos de tráfico do CTDC estão agora disponíveis como um arquivo para download, graças ao novo algoritmo. 
 
“A criação de um processo simples para o compartilhamento de dados com preservação da privacidade tem o potencial de coordenar e ampliar os esforços de organizações antitráfico em todo o mundo”, afirmou o Diretor de Resiliência Social da Microsot Research e líder do projeto, Darren Edge, Diretor de Resiliência Social da Microsoft Research. 

“Somos gratos à OIM por nossa profunda parceria no desenvolvimento de uma nova abordagem para o compartilhamento de dados baseada nas necessidades da comunidade antitráfico. Ao proteger a privacidade e a segurança das vítimas com dados sintéticos e capacitar os legisladores a visualizar, explorar e dar sentido aos dados por meio de ricos painéis interativos, estamos mostrando uma das muitas maneiras pelas quais a pesquisa e a tecnologia podem apoiar a luta global contra o tráfico de pessoas.”  

A OIM e a Microsoft Research começaram a trabalhar juntas em julho de 2019 como parte do programa acelerador da coalizão Tecnologia Contra o Tráfico (Tech Against Trafficking, em inglês). 

A nova solução de preservação de privacidade de dados sintéticos, desenvolvida na Microsoft Research na linguagem de programas Python, também será disponibilizada gratuitamente via o GitHub.  

A OIM tem o objetivo de compartilhar a nova técnica com organizações de combate ao tráfico em todo o mundo como parte de um programa mais amplo para melhorar a produção de dados e evidências sobre o tráfico de pessoas. Isso inclui estabelecer novas normas e orientações internacionais para apoiar os governos na produção de dados administrativos de alta qualidade, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, e um pacote de ferramentas de gestão de informações e padrões de dados para agências de combate ao tráfico na linha de frente.  

Ao tornar essas informações disponíveis de forma ampla e segura, a OIM e a Microsoft esperam garantir que as vozes das vítimas e dos sobreviventes sejam ouvidas ao mesmo tempo em que empoderam governos e outros atores-chave a tomares ações progressivas para acabar este crime.  

Os novos dados sintéticos e recursos relacionados podem ser acessados aqui.

O CTDC é o primeiro portal de dados global sobre tráfico de pessoas, combinando bases de dados de casos de vítimas de múltiplas organizações de combate ao tráfico.  

Para mais informações, entre em contato com:   
Harry Cook, Coordenador de Programas da Divisão de Assistência e Proteção Migratória da OIM. Tel:  +45 297 925 05, E-mail: hcook@iom.int

Essa iniciativa é apoiada pelo Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos (DOS); Departamento de Trabalho dos Estados Unidos (DOL); o Fundo Global para Acabar com a Escravidão Moderna (GFEMS) sob um acordo de cooperação com o Departamento de Estado dos EUA; e o Fundo da OIM para o Desenvolvimento. Os conteúdos são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente as opiniões do DOS, DOL, GFEMS ou do Fundo da OIM.