Primeiros resultados de mapeamento sobre a saúde mental e atenção psicossocial de refugiados e migrantes no Brasil são apresentados em evento online

Brasília - A Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) realizaram na quarta-feira (8) uma oficina online para apresentar os resultados preliminares do mapeamento sobre saúde mental e atenção psicossocial de refugiados e migrantes no Brasil.  O estudo é feito em parceria entre as duas instituições.

A oficina contou com 30 participantes, incluindo representantes de 17 organizações que trabalham com a temática em todas as regiões do país. O encontro também buscou facilitar a troca de experiências e estratégias utilizadas por organizações atuantes na temática.

“Quando pensamos em integração de refugiados e migrantes, geralmente pensamos em demandas concretas e imediatas, como documentação, emprego, moradia e escola”, disse a coordenadora de projetos da OIM Brasil Isadora Steffens. “Muitas vezes, fica em segundo plano a preocupação com a saúde mental, o que engloba não apenas a atenção clínica e terapêutica, como também as conexões sociais que contribuem para a inclusão bem sucedida dessa população”, completou.

Para a Chefe do Núcleo Regional em São Paulo da Coordenação-Geral do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE/MJSP), Laís Yumi Nitta, “essa oficina é importante para que os representantes das organizações espalhadas pelo país possam compartilhar como os refugiados e migrantes estão vivendo e sendo atendidos aqui”.

Além da apresentação dos resultados do mapeamento, a oficina também incluiu discussões entre grupos e falas de especialistas no tema. A especialista regional em saúde mental e apoio psicossocial da OIM, Karen Carpio, alertou para o fato de que “o atendimento psicossocial precisa considerar a cultura das pessoas atendidas. É essencial investigar quais são as populações impactadas, conhecer as suas histórias, os perfis e desafios enfrentados por elas”.

 Ainda lembrou que “a saúde mental vai além do setor sanitário. É preciso que profissionais e atores de diferentes setores permitam organizar uma resposta integral às diferentes necessidades das populações envolvidas no acompanhamento”, concluiu.

“Na perspectiva intercultural, o contexto é crucial, e precisamos compreender etnograficamente as culturas em contato, tanto a nossa quanto a do outro, para entendermos o que se passa com a pessoa, tornando esta uma área interdisciplinar por excelência” concordou a professora Sylvia Dantas, que coordena o Núcleo de Pesquisa Contato entre Culturas, Imigração, Saúde Mental e Interculturalidade da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

As informações coletadas na oficina serão utilizadas para complementar os dados obtidos por meio de questionários aplicados com 53 organizações ao longo de novembro. Os resultados do mapeamento serão publicados no início de 2021.

Essas atividades fazem parte da Iniciativa de Reassentamento Sustentável e Vias Complementares (CRISP), com financiamento dos governos de Portugal e dos Estados Unidos da América.