OIM realiza atendimento em língua de sinais e apoia interiorização de grupo de amigos surdos para Manaus

Boa Vista – Foram quase dois meses de viagem para atravessar o caminho de Puerto La Cruz até Pacaraima, primeira cidade brasileira após a fronteira com a Venezuela. O grupo de quatro amigos surdos enfrentou a viagem com longos meses de espera e de caronas em caminhões até o destino no Brasil em busca de novas chances de vida.

A motivação dos amigos para sair da Venezuela veio com a vontade de ingressar no mercado de trabalho brasileiro e tentar uma nova vida, podendo também apoiar financeiramente os familiares que permaneceriam no país de origem. Para Agueda, uma das integrantes do grupo, o incentivo ainda tinha o ideal da inclusão do filho Jose Alejandro, de 12 anos, com Síndrome de Down, no sistema de ensino.

Depois da chegada em Roraima, o acolhimento veio por parte da resposta humanitária do Governo Federal com o apoio da Operação Acolhida, que concedeu abrigamento e alimentação durante a estadia na capital.

Com dificuldades causadas pela limitação da audição e a falta de contato com a Língua de Sinais Venezuelana (LSV) em Boa Vista, os amigos decidiram participar da Estratégia de Interiorização, estabelecida para apoiar os venezuelanos vulneráveis que desejam permanecer no país a reconstruírem suas vidas em outros estados.

Por terem amigos em Manaus, Alexandor Jose, Yesika Josefina, Mariela Carolina, Agueda Maria e Jose Alejandro se inscreveram na modalidade de reunião social e deram início ao processo no Posto de Interiorização e Triagem (PITRIG) de Boa Vista. Durante a análise documental e viagem, o grupo teve apoio de um funcionário da Organização Internacional para as Migrações (OIM) com conhecimento em Língua de Sinais Venezuelana (LSV) para se comunicar com as diferentes equipes responsáveis pela Interiorização.

O atendimento feito em LSV foi significativo para quem encontrava barreiras na comunicação. “É muito importante para nós, nos ajuda muito”, sinaliza Alexandor Jose enquanto demonstra a linguagem de um abraço.

Para Willian, assistente de interiorização da OIM, a necessidade de saber a língua de sinais surgiu quando atendeu uma família surda em Pacaraima que, por não serem alfabetizados, não sabiam escrever para se comunicarem. Com isso, fez um curso na Universidade Federal de Roraima (UFRR) para que as famílias surdas se sentissem mais confortáveis ao ter uma pessoa que entendessem o processo de viagem e não tivessem dúvidas.

“É bom dar um suporte complementar possibilitando a inclusão e acesso das pessoas a serviços e oportunidades, pois não podemos deixar ninguém para trás. É gratificante e uma experiência que nunca vou esquecer. Cada vez que eu tenho contato com uma pessoa surda, me dá mais forças para eu seguir aprendendo”, relata.

De acordo com Yesika, os planos do grupo na capital amazonense é de se dedicarem a conhecerem a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para que entendam as distinções existentes e poderem se comunicar melhor no Brasil. A partir disso, é vida nova.

As atividades de interiorização da OIM contam com o apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.