OIM lança plano de US$499 milhões para apoiar países frente a impactos da pandemia

 

Genebra - À medida que o número de novos casos de doença por coronavírus (COVID-19) continua aumentando, a Organização Internacional para Migrações (OIM) ampliou o escopo do seu Plano Estratégico Global de Preparação e Resposta (SPRP) para incluir intervenções de longo alcance que visam mitigar os terríveis impactos socioeconômicos e de saúde da pandemia.

Para o Brasil, USD 4 milhões são requisitados para auxiliar a população local, o sistema de saúde público e também os refugiados e migrantes.

Um apelo revisado foi lançado nesta sexta-feira (17) por 499 milhões de dólares para apoiar atividades vitais de preparação, resposta e recuperação em mais de 140 países.

O SPRP recém-lançado – uma atualização do apelo anterior da OIM por 116,1 milhões de dólares – amplia a abordagem da Organização para incluir os esforços de mitigação da COVID-19 em contextos humanitários e em vários outros contextos em que as pessoas em movimento provavelmente serão gravemente afetadas pela pandemia. Essas iniciativas estão sendo realizadas coletivamente com todos os governos envolvidos, parceiros da ONU e a comunidade de ONGs.

“A OIM está pedindo um maior comprometimento dos doadores internacionais, que nos permitirá aliviar melhor os efeitos terríveis que a COVID-19 está causando em algumas das comunidades mais vulneráveis ​​do mundo”, disse o diretor-geral da OIM, António Vitorino, ao mesmo tempo em que expressou gratidão pelas contribuições até o momento.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 15 de abril, mais de 1,9 milhão de casos e mais de 123 mil mortes foram relatadas em todo o mundo.

Declarado uma pandemia em 11 de março, o surto de COVID-19 também causou um aumento acentuado nas restrições de movimento, tanto a nível internacional quanto local, incluindo fechamentos de fronteiras e quarentenas no mundo todo. Em 9 de abril, quase 46 mil restrições às viagens internacionais foram promulgadas, segundo estimativas da OIM.

Como parte do esforço global da ONU para enfrentar as consequências sanitárias, sociais e econômicas da atual crise, a OIM vem trabalhando com governos e parceiros para garantir que migrantes, independentemente de seu status legal, retornados e pessoas deslocadas à força em todo o mundo sejam incluídos nos esforços locais, nacionais e regionais de preparação, resposta e recuperação.

“Quando migrantes e comunidades deslocadas são excluídos dos planos e serviços nacionais de resposta, principalmente os de saúde, todos correm mais riscos”, disse o diretor-geral da OIM. “Também precisamos antecipar e nos preparar para as consequências econômicas potencialmente terríveis para os migrantes, países anfitriões e de origem.”

Os migrantes permanecerão entre os mais vulneráveis ​​à perda de oportunidades econômicas, despejo e falta de moradia, além da estigmatização e exclusão de serviços essenciais, segundo a OIM. Isso terá um efeito particularmente drástico nos países onde os trabalhadores migrantes contribuem para a redução da pobreza, através de remessas enviadas para casa que permitem que suas famílias acessem serviços básicos, assistência médica e educação.

Milhões de populações deslocadas e migrantes que vivem em acampamentos e outros locais superlotados, muitos dos quais em meio a conflitos armados, também são altamente vulneráveis ​​devido ao acesso limitado a serviços e conhecimento sobre como proteger a si e a seus entes queridos.

O plano revisado da OIM, que permanece alinhado com o plano COVID-19 da OMS e o plano humanitário global coordenado pela ONU, concentra-se em quatro prioridades estratégicas:

(1) coordenação e parcerias eficazes, bem como rastreamento de mobilidade; (2) medidas de preparação e resposta para redução da mortalidade; (3) esforços para garantir que as pessoas afetadas tenham acesso a serviços básicos, mercadorias e proteção; e (4) mitigação dos impactos socioeconômicos da COVID-19.

A Organização vem implementando medidas desde janeiro. Até agora, a OIM:

  • Estabeleceu centros de tratamento e isolamento, bem como estações de lavagem de mãos em campos e ambientes semelhantes a campos;
  • Lançou campanhas de informação em várias línguas e linhas diretas para migrantes e pessoas deslocadas para impedir a transmissão na comunidade;
  • Treinou funcionários governamentais em vigilância em aeroportos, portos marítimos e passagens de fronteira terrestre;
  • Conduziu o mapeamento das tendências e dinâmicas da mobilidade humana para informar planos de preparação e rastrear informações sobre migrantes retidos;
  • Forneceu suporte laboratorial para detecção de casos;
  • Forneceu equipamentos de proteção individual e suprimentos de desinfecção nos pontos de entrada;
  • Forneceu assistência humanitária a migrantes retidos ou retornados em quarentena.

Como co-líder global em coordenação e gerenciamento de campos (CCCM) em respostas humanitárias, a OIM prestou assistência a 2,4 milhões de pessoas que vivem em campos em todo o mundo em 2019 e desenvolveu orientação operacional para os gerentes de campos em todo o mundo, a fim de antecipar a propagação da pandemia a essas populações vulneráveis.

A Organização também prestou serviços de saúde a 2,8 milhões de pessoas globalmente.

Com mais de 430 escritórios e 14 mil funcionários em todo o mundo especializados em aspectos relacionados à mobilidade, saúde, engajamento da comunidade, resposta humanitária e trabalho, a OIM está em uma posição única para responder a emergências de saúde pública globalmente e ajudar a enfrentar as consequências socioeconômicas associadas.

Plataforma Global de Resposta a Crises da OIM fornece uma visão geral dos planos e requisitos de financiamento da OIM para responder às crescentes necessidades e aspirações daqueles afetados ou em risco na crise e em deslocamento em 2020 e além. A Plataforma é atualizada regularmente à medida que as crises evoluem e surgem novas situações.