OIM e organizações parceiras realizam serviços de atenção médica durante Semana do Migrante, em Manaus

Manaus - A Organização Internacional para as Migrações (OIM), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa), realizou uma série de atividades de saúde, proteção e informação para refugiadas e migrantes venezuelanas em Manaus na oportunidade da semana do migrante. A data é comemorada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) entre os dias 13 e 20 de junho.

A equipe de saúde da OIM prestou orientações para um grupo de venezuelanas que já são atendidas pela Pastoral dos Migrantes. A atividade aconteceu na Paróquia Nossa Senhora dos Remédios, zona sul de Manaus, e na Paróquia São Geraldo, no Centro.  Ainda na programação, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) também realizou roda de conversa sobre planejamento familiar, com disponibilização e administração de anticoncepcionais injetáveis ou orais.

Durante os atendimentos em saúde foram doados preservativos e realizadas 40 consultas clínicas gerais e atendimentos especializados, além quatro exames preventivos de câncer de colo de útero e 43 testes rápidos para HIV, Sífilis e Hepatite B e C. Em casos de testagem positiva, as beneficiárias recebem receita médica para tratamento prévio e são encaminhadas para rede especializada de saúde para seguir o ciclo de atendimentos e checagem de novos exames a cada seis meses.

“Possibilitar esses exames permite que elas (venezuelanas) consigam tratamento médico adequado junto à unidade de saúde especializada, porque algumas mulheres refugiadas e migrantes no Brasil sentem dificuldades de ter acesso às unidades de saúde, seja por recursos financeiros ou pelo idioma. Essa atividade é importante para orientá-las sobre os cuidados necessários e aproximá-las da rede pública”, comenta a médica da OIM Luiza Lopes.

O grupo de mulheres também participou de sessão informativa sobre tráfico de pessoas e enfrentamento à exploração laboral, a fim de conscientizar sobre os direitos trabalhistas no Brasil e os principais órgãos de denúncia para reportar potenciais situações de violação de direitos. Ao final, foram entregues kits de higiene para prevenção contra a Covid-19 e, quando necessário, kit de higiene para bebê, contendo fraldas, talco e lenços umedecidos.

Para a venezuelana Dayana, os atendimentos são muitos importantes para que a população mantenha os cuidados com a saúde, principalmente durante a Pandemia. “Agradeço muito pelo espaço acolher a gente durante esse momento e facilitar os serviços de atenção médica”, comentou.

Em seguida, foram realizadas duas oficinais sobre tráfico de pessoas e exploração laboral e sobre os processos de interiorização, Estratégia do Governo Federal de deslocamento da população venezuelana na região Norte para integração socioeconômica em outros estados. As oficinas são importantes para conscientizar, tirar dúvidas e poder garantir os Direitos Humanos de refugiados e migrantes na capital amazonense. “Estou no Brasil há quatro anos e, graças a Deus, sempre tive acesso aos serviços e meus direitos, mas ainda há pessoas que não. Então vejo que é importante compartilhar isso com nossos amigos acolhidos”, comenta a venezuelana Adriana.

A beneficiaria também participou dos atendimentos médicos e recebeu uma cesta básica de alimentos e um kit de higiene bebê. “Fico muito contento com esse apoio que a organização tem dado para gente, porque eu trabalho de maneira informal e durante a pandemia tudo ficou mais difícil. É muito bom ter esse cuidado com a gente”, informou Adriana.

Durante a semana, a OIM também acompanhou a atividade desenvolvida pela Fraternidade Federação Humanitária Internacional (FFHI) no Alojamento de Trânsito (ATM) de Manaus, com a apresentação de um coral formado por refugiados e migrantes venezuelanos apoiados pela OIM no processo de interiorização e que estão alojados no ATM.

Foi realizada ainda uma sessão informativa sobre a estratégia de interiorização no abrigo Esperança, localizado no bairro Cidade de Deus, zona Leste de Manaus. A oficina aproxima a população mais vulnerável ao acesso à informação sobre interiorização.

Todas as atividades da OIM contaram com o apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos.