OIM e Compassiva apoiam venezuelanos e migrantes de países vizinhos com a revalidação de seus diplomas no Brasil

Revalidar o diploma de Ensino Superior em um outro país pode ser um grande passo para a integração econômica. Com isso em mente, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), em parceria com a Associação Compassiva, têm apoiado venezuelanos e migrantes de outros países vizinhos ao Brasil nesse processo.

“A OIM considera a revalidação de diplomas como um passo muito importante para a integração efetiva dos migrantes às sociedades acolhedoras e estamos muito satisfeitos em poder trabalhar junto à Associação Compassiva nesse projeto dirigido a venezuelanos e migrantes de países vizinhos ao Brasil”, declara a gestora sênior de projeto da OIM, Michelle Barron.

No Brasil, a revalidação de diplomas é um desafio histórico e poucos estados possuem legislação específica que facilite o processo a migrantes em situação de vulnerabilidade. Os custos elevados e a documentação complexa trazem barreiras para que grande parte desse público consiga realizar o processo sem orientação e acompanhamento especializados.

“O projeto de revalidação de diplomas para migrantes que trazem consigo as dificuldades em conseguir documentos, obter o apostilamento e arcar com as despesas do processo de revalidação de diploma é necessário. A parceria com a OIM é uma forma de reinserção ao mercado de trabalho formal, mas também de resgate de parte da identidade dessas pessoas”, afirma a coordenadora do projeto de revalidação de diplomas da Compassiva, Camila Suemi.

A Associação Compassiva atua no tema desde 2018, apoiando a revalidação de diplomas de profissionais migrantes, com o objetivo de que sua contribuição e integração com a sociedade brasileira possa ser mais efetiva, a partir de uma atuação profissional adequada à área de formação dessas pessoas.

Embora pesquisas como a Matriz de Monitoramento de Deslocamentos, realizada periodicamente pela OIM, demonstrem porcentagens que variam entre 7% e 23% de pessoas venezuelanas entrevistadas no Brasil com nível de escolaridade superior; observa-se em outras análises, como a Migrações e Mercado de Trabalho do Brasil, realizada pelo Observatório das Migrações Internacionais, que a maioria da população migrante atua no Brasil no ramo industrial , muitas vezes em posições operacionais menos especializadas

A venezuelana de 36 anos, Yomaira faz parte desse grupo que chega com um diploma superior em mãos, e precisou de apoio para seguir os trâmites burocráticos. Médica veterinária formada no seu país de origem, chegou ao Brasil com seu esposo e sua filha há cerca de um ano, e ainda não conseguia trabalhar na sua área de formação. Ela foi a primeira beneficiária da parceria entre a OIM e a Associação Compassiva a ter seu diploma revalidado. Seu sonho agora é um dia abrir um hospital veterinário.

“Eu agradeço muito, a todos vocês, porque não é só fazer uma revalidação de um diploma é devolver-me um pouco do que eu perdi”, relata.

Já são mais de 70 processos de revalidação iniciados por meio dessa parceria, dos quais 9 foram finalizados e a revalidação deferida, um processo que pode levar anos em muitos casos.

Essa atividade é realizada no marco do Projeto Oportunidades, implementado pela OIM com o apoio financeiro da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).