OIM ajuda a prevenir a disseminação de COVID-19 entre as comunidades indígenas e ribeirinhas brasileiras

Brasília - Comunidades indígenas, rurais e ribeirinhas no Norte do Brasil estão entre as populações mais vulneráveis e sofrem com a propagação do novo coronavírus. Com limitações econômicas e de transporte, o acesso à saúde e a produtos de higiene e de limpeza para auxiliar no combate à COVID-19 ficou comprometido.

Dessa forma, com o intuito de facilitar a proteção dessas populações e o acesso a atendimentos médicos, reforçando a resposta à COVID-19, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) está realizando nos estados de Roraima e de Manaus diversas ações voltadas para a promoção de higiene, saneamento e de comunicação, além de oferecer atendimentos médicos em parceria com a rede de saúde local.

À margem do Rio Negro, principal afluente do Amazonas, uma das comunidades indígenas beneficiadas é a de São João do Tupé, onde os moradores têm recebido nos últimos meses materiais de limpeza e itens de higiene pessoal. A 25 quilômetros da capital do estado, Manaus, a comunidade também passou a receber atendimentos regulares realizados em parceria entre a Secretaria de Saúde de Manaus e a OIM.

“Atualmente há 102 famílias na comunidade. Todas essas doações são importantes para suprir a falta de higiene, ajudando a desinfectar os domicílios e manter a limpeza pessoal. Muitas famílias estavam precisando. Estávamos preocupados, pois hoje em dia está muito difícil de ir até a cidade”, relatou a moradora Cleiciane de Souza.

Em decorrência da pandemia, as equipes da OIM seguem os cuidados determinados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e evitam aglomerações. Dessa forma, os kits são entregues para pontos focais de cada comunidade que, voluntariamente, ficam responsáveis pela distribuição para os moradores. A ação evita o contato direto com a população e diminui as chances que a doença seja transmitida.

Em conjunto com as entregas dos kits, um material informativo sobre higiene pessoal e cuidados de prevenção é enviado para os beneficiários. Palestras para profissionais de saúde locais também são organizadas com intuito de que eles possam repassar o conhecimento para a comunidade.

Em alguns casos, respeitando os protocolos de prevenção, também são realizadas sessões informativas sobre o uso de máscaras, lavagem de mãos e orientações para manter hábitos saudáveis para a saúde.

As atividades se estendem com a instalação de estações de lavagem de mãos, sendo cinco no Amazonas, com duas delas destinadas para comunidades ribeirinhas. Já no estado roraimense, serão 14 lavatórios, oito para Unidades Básicas de Saúde e seis para comunidades indígenas. Ao todo, a expectativa é que mais de 13 mil pessoas sejam beneficiadas com as estações.

As ações englobam ainda a melhoria das estruturas de saúde reforçando a capacidade local da rede de atendimento. Doações de equipamentos médicos e odontológicos em uma comunidade indígena em Roraima, por exemplo, permitiram equipar uma Unidade de Saúde recém inaugurada que ainda aguardava itens como macas e cadeiras de rodas.

“Os materiais vão beneficiar a nossa comunidade e outras que precisam de atendimentos na nossa Unidade de Saúde. Não é só para nós, é para a população indígena em geral”, disse o líder da comunidade, José dos Santos.

As ações em saúde para comunidades indígenas e ribeirinhas brasileiras estima alcançar cerca de 17 mil pessoas ao longo de cinco meses.

Essas atividades são realizadas com apoio financeiro da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).