Número de mortes no percurso às Ilhas Canárias fica ainda mais alarmante em 2021

BERLIM - A Organização Internacional para as Migrações (OIM) está extremamente preocupada com o aumento acentuado no número de mortes e desaparecimentos de migrantes no mar ao tentarem chegar às Ilhas Canárias pela costa da África Ocidental.

No final de agosto de 2021, o Projeto de Migrantes Desaparecidos da OIM registrou 785 pessoas, incluindo 177 mulheres e 50 crianças, que, até o presente momento de 2021, morreram ou desapareceram durante a travessia às Canárias.  Agosto foi o pior mês em termos de fatalidades documentadas - com 379 vidas perdidas – correspondendo por quase metade do número total de mortes registradas este ano.

Os números mostram um aumento de duas vezes em comparação com o número de mortes registradas no mesmo período do ano passado, quando cerca de 320 pessoas perderam a vida na rota África Ocidental-Atlântico.  Em todo o ano de 2020, 850 mortes de migrantes foram registradas nesta rota, o maior número documentado de vidas perdidas em um único ano desde que a OIM começou a coletar dados em 2014.


O número de mortes registradas de migrantes na rota África-Atlântico dobrou neste ano até o fim de agosto, em comparação com o mesmo período de 2020. Foto: OIM/Peter Schatzer

O Diretor do Centro de Análise de Dados de Migração Global da OIM, Frank Laczko, afirmou que o número real de vidas perdidas no mar é provavelmente muito maior.

"Acredita-se que naufrágios invisíveis, nos quais não há sobreviventes, ocorram com frequência nesta rota, mas é quase impossível verificar", disse ele.

Mesmo quando se reportam barcos em perigo, é difícil determinar o número de pessoas perdidas.

Nos primeiros oito meses de 2021, 9.386 pessoas chegaram às Ilhas Canárias pelo mar, um aumento de 140% em relação ao mesmo período de 2020 (3.933).

Depoimentos de sobreviventes indicam que as jornadas estão se tornando mais arriscadas. Um dos sete sobreviventes de um navio transportando 54 pessoas, que ficou à deriva por duas semanas antes de virar perto da costa da Mauritânia em meados de agosto, contou à equipe da OIM que perderam o motor após três dias em alto-mar e que eles ficaram sem comida e água.

“As pessoas já estavam começando a morrer”, disse ela. “Os corpos deles foram atirados ao mar para que o barco não ficasse muito pesado e todos morrêssemos”. Havia pessoas que pareciam ter enlouquecido, às vezes mordiam uns aos outros, gritavam e se jogavam ao mar.”

Relatos de restos mortais sendo levados pela maré até a costa atlântica da África Ocidental ou sendo frequentemente apanhados pelas redes de arrasto de navios de pesca são mais indícios de “naufrágios invisíveis”. A organização da sociedade civil espanhola Caminando Fronteras estima que 36 barcos desapareceram sem deixar rasto no caminho para as Ilhas Canárias nos primeiros seis meses de 2021.

“A falta de esforços conjuntos para recuperar os corpos de migrantes nesta e em todas as rotas significa que centenas de famílias são deixadas em luto”, disse Laczko.

O conflito e a pobreza, exacerbados por medidas para conter a pandemia da COVID-19, juntamente com canais limitados para migração regular, continuam a obrigar as pessoas a empreender viagens extremamente perigosas no mar.

"Acabar com essa perda sem sentido de vidas em todas as rotas de migração marítima para a Europa requer uma resposta abrangente, capacidades aprimoradas de busca e resgate lideradas pelos Estado e caminhos para uma migração segura, ordenada e regular", afirma Laczko.

Para mais informações, entre em contato com:

Marta Sánchez Dionis,
Centro de Análise de Dados de Migração Global da OIM,
E-mail: msanchez@iom.int, Tel: +49 30 278 778 43

Julia Black, 
Centro de Análise de Dados de Migração Global da OIM,
E-mail: jblack@iom.int, Tel: +49 151 64128936