Migrantes retidos no Acre devido ao fechamento da fronteira por causa da pandemia recebem apoio para retornar às suas cidades de residência no Brasil

 

Brasília - Com as restrições temporárias de deslocamento ocasionadas pela pandemia de COVID-19, muitos migrantes que se preparavam para deixar o Brasil tiveram que adaptar seus planos de viagem. No estado do Acre, fronteira com Peru e Bolívia, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) tem trabalhado em conjunto com o município de Assis Brasil, governos do Acre e federal, organizações da sociedade civil e outras agências das Nações Unidas para mitigar os impactos ressentidos. Em particular, a OIM apoia o retorno voluntário para as cidades de residência no Brasil.

Esse é o caso da venezuelana Laudy, que estava em Assis Brasil e viajou na terça-feira (6) a Manaus com o apoio do Ministério da Cidadania e da OIM. “Estou muito agradecida. Recebi um atendimento completo com transporte, alimentação e hospedagem, nesse momento em que não poderia arcar com os custos”, relata Laudy.


Laudy © Arquivo pessoal

A OIM também tem monitorado a situação no Acre junto às autoridades locais e federais que seguem a questão. Em fevereiro, a organização acompanhou missões do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH) e da Defensoria Pública da União em Assis Brasil, para apoiar o governo federal e municipal na resolução da situação da fronteira, quando cerca de 400 refugiados e migrantes, a maioria do Haiti, Angola e Venezuela, ocuparam a Ponte da Integração entre Brasil e Peru.

Graças ao trabalho conjunto, foi possível realizar a desocaupação pacífica do local e as pessoas puderam retornar a suas cidades de origem ou foram acolhidas em abrigos nas cidades de Assis Brasil e Rio Branco.

Para facilitar o acesso à informação, a OIM e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) também iniciaram uma campanha informativa nas redes sociais para orientar os refugiados e migrantes sobre as restrições de viagem enquanto durarem as medidas sanitárias relativas ao fechamento de algumas fronteiras. 

Desde o início da pandemia em 2020, a OIM atua no estado do Acre beneficiando ao menos 1.200 pessoas. Já foram doadas 4,5 toneladas de alimentos a organizações da sociedade civil responsáveis pelo abrigamento dos refugiados e migrantes retidos no estado. Além da comida, foram entregues 101 vales-alimentação que permitiram aos beneficiários adquirir diretamente alimentos e itens de primeira necessidade. Outras 317 pessoas receberam ainda cestas básicas e kits de higiene.

Estas ações da OIM são realizadas com o apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.