Iniciativa de empregabilidade e empreendedorismo beneficiará 150 venezuelanos e migrantes de diversas nacionalidades no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro - Após o sucesso do curso para migrantes empreendedores em 2020, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) renovou a parceria com a Associação Mawon para realizar um novo ciclo da iniciativa “Empregadorismo”. Com isso, 150 venezuelanos e migrantes de países vizinhos que vivem em situação de vulnerabilidade no estado do Rio de Janeiro receberão apoio para impulsionar sua geração de renda e aprofundar sua integração econômica no Brasil.

A novidade de 2021 é que não haverá apenas uma, mas três possibilidades de trilhas de aprendizado dentro dos eixos de empregabilidade e empreendedorismo oferecidos. Uma será para apoiar os migrantes no acesso ao mercado de trabalho formal, outra para desenvolver os negócios que estão em fase inicial e uma terceira para ajudar os empreendedores mais avançados a escalar seus negócios.

Todos os participantes receberão informações sobre direitos no Brasil e prevenção contra o trabalho análogo ao escravo. A previsão é que o projeto beneficie 150 migrantes até o final do ano.

“Reinventar-se faz parte da jornada do migrante”, afirma Robert Montinard, presidente da Mawon. “Eu, enquanto migrante e fundador da Mawon, me sinto honrado em fazer parte de um projeto que vai impactar positivamente a vida de tantos migrantes que foram fortemente afetados pela pandemia de Covid-19.”

Em 2020, a parceria entre OIM e Mawon fomentou empreendimentos de 38 venezuelanos e migrantes de países vizinhos ao Brasil, com aulas sobre como desenvolver um negócio, além de mentoria individualizada e acesso a capital semente. Os 10 migrantes que se saíram melhor ao longo do curso participaram de um pitch para apresentar seus planos de negócios a uma banca e concorrer a um prêmio financeiro extra.

A participante mais bem avaliada foi a da venezuelana Maria Carolina, que criou, com o marido, a J&C Decorações, um negócio de fabricação de móveis em estilo industrial, a partir da mescla de madeira com ferro. Formada em administração, ela estava desempregada quando iniciou o curso. 

“Eu estava passando por um momento muito difícil emocionalmente. Estava desanimada, me sentia perdida. O projeto mudou minha vida. Eu saí da depressão, senti mais autoconfiança, mais vontade de seguir em frente”, conta Maria Carolina. “Para o meu marido também foi muito bom, porque ele tinha essa ideia de fazer os móveis. Com o projeto, sentimos que não estávamos sozinhos, que havia pessoas e organizações que ajudavam os migrantes”, complementa a venezuelana, que agora quer ampliar o negócio na nova edição do curso.

Para divulgar o empreendimento de Maria Carolina e dos demais participantes para o público brasileiro, a Mawon criou a vitrine online Vitrum, que será expandida este ano para incluir não apenas os beneficiários da nova edição como também outros migrantes empreendedores que tenham interesse em divulgar seus produtos e serviços.

“A criação da vitrine foi uma iniciativa muito feliz da Mawon por possibilitar um meio de divulgação dos negócios fomentados, aumentando as chances de atração de clientes para os migrantes empreendedores, e por proporcionar uma forma de apoio contínuo a essas pessoas, para além do curso, dando mais sustentabilidade ao projeto”, diz o coordenador de projetos da OIM no Rio de Janeiro, Diogo Felix. “Estamos muito felizes com a renovação da parceria com a Mawon e temos a certeza de que a nova edição do Empregadorismo ajudará a impulsionar a geração de renda de muitos venezuelanos e migrantes de países vizinhos.”

Caso repita o sucesso de 2020, a iniciativa da Mawon não impulsionará apenas a renda, mas também os sonhos das pessoas migrantes. Como foi o caso da venezuelana Ilvimar, educadora física e personal trainer que desenvolveu o Clube do Treino, pelo qual oferece rotinas de exercícios em casa para as pessoas fortalecerem a saúde física e mental durante a pandemia.

“Ao chegar a um país como migrante, nós ficamos pensando no que vamos fazer, em que vamos trabalhar, e acaba que aceitamos fazer qualquer coisa, deixando para trás nossos objetivos, sonhos e profissões”, explica a empreendedora. “O curso do ‘Empregadorismo’ me deu ferramentas para correr atrás do meu sonho, do que eu realmente gosto, e tirar o meu projeto do papel.”

As inscrições para a próxima turma do “Empregadorismo” já foram concluídas. Em julho novas inscrições serão abertas para início das atividades em agosto.

As iniciativas de integração econômica no Rio de Janeiro são realizadas no marco do projeto “Oportunidades – Integração no Brasil”, implementado pela OIM com o apoio financeiro da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).