Indígenas Warao ingressam em cursos profissionalizantes ofertados pela OIM em Boa Vista

Boa Vista – Dentro da sala de aula, os olhos estão atentos a cada detalhe para não cometer erros. Com as mãos cuidadosas, indígenas venezuelanos da etnia Warao recebem orientações sobre o ponto certo na roupa e o corte de cabelo apropriado nos cursos de integração socioeconômica ofertados pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), na capital de Roraima.

A possibilidade de ingressar no mercado de trabalho brasileiro com capacitação comprovada motiva Sonia na dedicação aos novos aprendizados. Na Venezuela, teve pouco contato com a confecção de roupas, mas isso não a impediu de desenvolver novas habilidades durante o curso.

“Estou aprendendo a utilizar a máquina de costura para fazer roupas. Eu não sabia como costurar e estou aprendendo! Quando concluir o curso, vou ter mais oportunidades para conseguir um emprego", disse a indígena Warao de 32 anos.

Com duas turmas exclusivas para os indígenas venezuelanos Warao, a OIM promove o aprendizado nas áreas de moda, cabeleireiro e barbearia. Além das especialidades, os alunos recebem também aulas de português básico para facillitar a integração.

“Fizemos o piloto para esses cursos após um pedido da Operação Acolhida, a resposta humanitária do governo federal, para termos mais atividades para os indígenas. Com apoio da Fraternidade Internacional, que já tinha a lista de interesse desses indivíduos que vivem nos abrigos, escolhemos dois cursos que achamos que seriam mais dinâmicos para eles e facilitariam a conseguir trabalho”, explica a assistente de projetos de Integração Socioeconômica da OIM Tainá Aguiar.

Para Euligio, liderança indígena no abrigo Pintolândia, o curso de corte e cabelo representa mudança de vida para ele e a família. “Vim para o Brasil há cinco anos com minha esposa e sete filhos e faço o curso para transmitir aos jovens que façam algo útil e que busquem conhecimento para ajudar a comunidade. Meu objetivo é ter experiência para ter trabalho em um salão de beleza, pois gostei de aprender a saber cortar [o cabelo] masculino e feminino. A professora ensina com o coração e estamos muito felizes”, relata.

O aprendizado e a troca de experiências também é sentido por quem ensina e contribui para o conhecimento de novas habilidades, culturas e possibilidades para o futuro.

"Essa é a minha primeira experiência ensinando indígenas venezuelanos e encontrei aqui pessoas com muita vontade de aprender, com interesse no que estão fazendo e são muito participativos nas aulas. Muitos chegaram sem conhecer nada na área e já vejo eles realizando todas as atividades. Estou muito satisfeita com esse aprendizado e as histórias deles", relatou a professora de corte de cabelo Maria Angela.

Essas atividades contam com o apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.