Iêmen: Milhões de pessoas deslocadas e migrantes estão desesperados por ajuda, em meio a um déficit de financiamento

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) afirmou que milhões de vidas continuam em risco no Iêmen e reforçou o pedido urgente e necessário das Nações Unidas por recursos que permitam que as organizações de ajuda continuem respondendo à maior crise humanitária do mundo.

A OIM vem apelando para que até o fim de 2021, um fundo de 170 milhões de dólares seja direcionado para atender às necessidades crescentes de comunidades de refugiados, pessoas afetadas por conflitos e migrantes no Iêmen. Até o momento, no entanto, apenas metade desses recursos foram recebidos. O Plano de Resposta Humanitária de 3,85 bilhões de dólares para o Iêmen também recebeu apenas metade do financiamento previsto.

“Sem financiamento adicional, organizações como a OIM podem não ter escolha a não ser reduzir drasticamente suas operações, o que deixaria dezenas de milhões de pessoas sem comida, água e cuidados de saúde necessários para a sobrevivência diária”, disse o vice-diretor geral de operações da OIM, Ugochi Florence Daniels. A fala ocorreu em um evento sobre a situação humanitária no Iêmen realizado na última terça-feira (21), paralelamente à semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU.

No início deste ano, doadores se reuniram para apoiar milhões de crianças iemenitas e imigrantes, homens e mulheres que enfrentavam níveis alarmantes de desnutrição aguda e insegurança alimentar, enquanto a COVID-19 também ameaçava seu bem-estar e meios de subsistência. Contribuições generosas permitiram que organizações humanitárias como a OIM mantivessem suas operações e evitassem desastres.

Ainda assim, a situação é terrível para mais de 20 milhões de pessoas afetadas pela crise. Quase cinco milhões de pessoas estão novamente à beira da fome, quatro milhões estão desabrigadas, dois terços da população dependem de assistência humanitária e outra onda de COVID-19 chegou. Cerca de 32 mil imigrantes estão acuados e em risco de exploração e abuso.

As áreas críticas de resposta permanecem gravemente subfinanciadas. As entidades de ajuda parceiras receberam menos de 10% do financiamento necessário para fornecer saúde, água e saneamento que salvam vidas de refugiados e imigrantes.

“Agora é a hora de aumentar, não diminuir nossas intervenções que salvam vidas, se quisermos evitar o sofrimento e acompanhar as necessidades crescentes que foram agravadas pela pandemia”, disse Daniels.

Vidas podem ser mudadas quando há financiamento humanitário disponível. No ano passado, a OIM alcançou seis milhões de pessoas com assistência humanitária. Este ano, a organização já apoiou dois milhões de pessoas afetadas por conflitos e imigrantes com ajuda emergencial.

A OIM manteve operações de salvamento em locais como Marib, onde milhares estão fugindo dos combates. Em conformidade com a estratégia da organização de atuar em algumas das áreas mais carentes, a OIM também expandiu a ajuda à costa oeste do Iêmen. Em parceria com as autoridades do Iêmen e da Etiópia, a OIM relançou com sucesso seu programa de Retorno Humanitário Voluntário, ajudando mais de mil migrantes vulneráveis presos no Iêmen até agora este ano.

Esses sucessos não teriam sido possíveis sem o apoio dos doadores, mas o financiamento está se esgotando rapidamente e os programas de salvamento estão sob risco de redução.

Leia o apelo completo da OIM aqui [em inglês].