COVID-19: Serviço de apoio à saúde mental é oferecido a profissionais que atuam na linha de frente na região Norte

Boa Vista – Os impactos de saúde causados pela pandemia do novo coronavírus não atingiram somente os pacientes e suas famílias, mas também os profissionais da saúde e da assistência social que atuam na linha de frente no combate à doença. A rotina intensa, os anseios quanto à disseminação do vírus, o grande número de pessoas afetadas pela crise sanitária e econômica repercutem na saúde mental desse grupo.

Diante do cenário de desgaste emocional em médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e assistentes sociais, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) tem prestado suporte para profissionais dos estados do Amazonas e Roraima, que possuem um grande público vulnerável à doença, como brasileiros indígenas, ribeirinhos e rurais.

O projeto, realizado em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), oferta atendimentos psicossociais de maneira remota por ligação telefônica. Para ter acesso, o profissional realiza um cadastro e informa qual tipo de abordagem deseja, de forma individual ou em grupo, e aguarda o contato da equipe.

Desde o início das atividades em janeiro desde ano, já foram realizados quase 70 atendimentos a profissionais da área de saúde.


Foto: Cláudio Trindade

Os registros mostram que as mulheres representam maioria na busca pelo espaço de escuta, sendo médicas, enfermeiras, técnicas e pessoas que contribuem no âmbito da doença, como recepcionistas de hospitais, assistentes sociais e corpo administrativo.

“Percebemos essa dificuldade dos profissionais da saúde e da assistência de terem um tempo de cuidado com eles mesmos. É um momento muito delicado e muitas pessoas precisam de apoio, mas elas entendem que a prioridade não é cuidar de si próprio e sim do outro. Isso é muito alarmante, pois o profissional acaba se negligenciando”, relatou a supervisora de saúde mental da USP, Patrícia Prado Ferreira.

Com intuito de ampliar o acesso ao serviço de escuta e a busca de suporte à saúde mental, a OIM faz a disseminação da informação sobre o serviço com cartazes com os contatos fixados nas unidades de saúde nos dois estados. Pelo cartaz, é possível escanear um QR Code com o celular e cair diretamente no formulário de inscrição.


Foto: Cláudio Trindade

Segundo o coordenador de Saúde da OIM, Igor Rodrigues, a oferta de espaços de escuta e reflexão para esses profissionais é fundamental para cuidar desses trabalhadores no contexto da pandemia.

“O acolhimento prestado pela equipe de psicólogos e psiquiatras da USP contribui com a promoção da saúde mental. Para a OIM, nos parecia importante complementar nossas ações na resposta à COVID-19 incluindo também os profissionais de saúde e da assistência social que estão na linha de frente”, disse o coordenador.

Em complemento aos atendimentos, a equipe da OIM também oferta capacitações para os profissionais de saúde de Roraima e do Amazonas que atendem comunidades ribeirinhas e indígenas brasileiras. O intuito é fortalecer os conhecimentos sobre a pandemia e ampliar a disseminação das informações com os moradores da região. Os temas tratados incluem o uso correto de máscara de proteção, cuidados com a saúde mental e como apoiar os pacientes em tratamento.

Essas atividades são realizadas com o apoio financeiro da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).


Foto: Cláudio Trindade