Com certificação em mãos, confeiteiros venezuelanos estão aptos para o mercado de trabalho no Brasil

Boa Vista – Touca na cabeça, avental vestido e mãos limpas para iniciar os confeites do dia. A rotina na sala de aula mobilizou durante duas semanas os 15 alunos venezuelanos do curso de Confeitaria Básica ofertado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Roraima.

As atividades, com foco na integração socioeconômica da população refugiada e migrante na capital boa-vistense, capacitam para o mercado de trabalho. Elas também dão mais chances aos beneficiários que desejam se cadastrar na estratégia de interiorização do Governo Federal pela modalidade Vaga de Emprego Sinalizada, podendo ir trabalhar e recomeçar suas vidas em outros estados do Brasil.

O curso de confeitaria básica não é o único ofertado pela parceria entre a OIM e o Senac em Roraima. O aprendizado para preparo de bolos e tortas, costura e corte de cabelo masculino e feminino também estão na lista. Os dois últimos são ministrados atualmente para indígenas venezuelanos, que receberão aulas de português básico em complemento, favorecendo a integração socioeconômica dessa população no Brasil.

A escolha dos cursos foi feita após um levantamento sobre as vagas de emprego com maior potencial de empregabilidade. Neste primeiro semestre do ano, serão realizados 16 cursos, sendo 8 em Boa Vista e 8 em Pacaraima.

Para Maybrick, que chegou no Brasil há dois anos, o curso de confeitaria é uma oportunidade para ajudar a família. “Nunca trabalhei com a produção de doces na Venezuela, mas me interessei porque gosto de aprender coisas novas e para poder trabalhar com isso. É uma chance de ter um bom emprego”, disse.

O anúncio das vagas é feito principalmente nos abrigos e ocupações espontâneas onde residem os refugiados e migrantes venezuelanos. Em seguida, com o auxílio da Fraternidade – Federação Humanitária Internacional (FFHI) e da AVSI Brasil é realizada a seleção das pessoas que manifestaram interesse em realizar algum dos cursos. A prioridade é para aquelas que ainda não fizeram outra capacitação profissionalizante.

“Moro no abrigo Rondon 2 onde vi passar a lista de inscrições, então me candidatei e aqui estou! Sou grato pelo privilégio de fazer esse curso para ser confeiteiro no Brasil e poder trabalhar na área”, destacou o aluno Alejandro.

No município de Pacaraima, os venezuelanos já receberam cursos de Atitude Empreendedora, Marketing Pessoal e Profissional, e Princípios do Atendimento ao Cliente e Práticas Administrativas. Nos últimos anos, a OIM já realizou a capacitação de quase 500 pessoas. Para este ano, é estimado que mais de 200 refugiados e migrantes sejam beneficiados.

“Estamos vivendo um período muito desafiador com a pandemia de COVI-19 e refugiados e migrantes podem ainda ter outros obstáculos para conseguir um trabalho, por, muitas vezes, não terem um diploma validado no Brasil. Então, oferecer capacitações com uma certificação brasileira facilita o acesso ao mercado de trabalho ou mesmo para gerar ações empreendedoras. Nossa ideia é oferecer uma possibilidade a mais a eles”, destaca a assistente de projetos da OIM Tainá Aguiar.

Os cursos possuem formação práticas e são realizados presencialmente. Para isso, durante a pandemia foram estipulados protocolos de segurança e são mantidos todos os cuidados para evitar a propagação do novo coronavírus, como o uso obrigatório de máscara e higienização das mãos, além da redução de alunos nas salas de aula.

Essas atividades contam com o apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.