Com apoio da OIM, engenheiro eletricista venezuelano volta a trabalhar com carteira assinada em Santa Catarina

Boa Vista – Os primeiros passos em território brasileiro ocorreram em novembro de 2018, quando atravessou a fronteira com a Venezuela para conhecer o estado de Roraima. De lá até a instalação definitiva no Brasil, em janeiro de 2020, outros desafios surgiram na vida do engenheiro eletricista Gilbert. A mudança teve como objetivo novas oportunidades para a família que ficou no país vizinho e a chance de voltar a trabalhar.

“Vim sozinho para o Brasil e fiz trabalhos voluntários em Roraima. Depois de alguns meses, minha esposa e meus três filhos chegaram em Boa Vista e foram abrigados, o que nos ajudou muito. Agora vou viajar novamente sozinho, mas vou para outra cidade brasileira”, diz.

Enquanto a família permanece no estado roraimense, Gilbert será interiorizado para Blumenau, em Santa Catarina, com a carteira de trabalho pronta para ser assinada. Ele é um dos 28 venezuelanos levados para o Sul do Brasil para ocuparem postos de trabalho no ramo têxtil, em uma articulação da Operação Acolhida, resposta humanitária do Governo Federal, e da Organização Internacional para as Migrações (OIM) com os empresários da indústria.

Pela modalidade de Vaga de Emprego Sinalizada (VES) da Estratégia de Interiorização do Governo Federal é possibilitada a integração socioeconômica de venezuelanos em situação de vulnerabilidade graças a parcerias com empresas para que possam contratar refugiados e migrantes e impulsionar a diversidade e inclusão dos locais de trabalho.

Desde 2018 até o momento, quase 53 mil pessoas foram interiorizadas para 699 municípios brasileiros. Desses beneficiários, mais de 12 mil viajaram com passagens aéreas adquiridas pela OIM.

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Com a passagem em mãos, Gilbert estava pronto para a mudança e a voltar a executar serviços de elétrica. “Fui chamado após verem minha experiência na área e que daria certo no cargo de técnico em elétrica. Vou dar o melhor de mim pela minha família, e para agradecer a todos por tudo isso. Vou recomeçar a vida”, complementa.

A fala corrida indica o anseio de realizar os planos na nova cidade, com a busca para retornar aos estudos para se especializar e conseguir abrir uma empresa, para, enfim, estar de volta com a família.

Conforme o assistente de projetos da OIM, Eduardo Sucre, todo o processo foi acompanhado pela equipe, que realizou pesquisas de currículos, entrevistas para seleção dos candidatos e procedimentos de viagem, com auxílio na documentação.

“O grupo era formado por pessoas muito vulneráveis que ficaram muito surpresas por ter a oportunidade de trabalharem em outro estado. Ver o antes e depois de muitas famílias, e o tanto que elas conseguem transformar suas vidas tanto no pessoal, econômico e profissional. São histórias que marcam”, afirma.

As atividades da OIM na Estratégia de Interiorização contam com o apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.