Capacitações profissionais ampliam possibilidades de geração de renda para venezuelanos em Manaus

Manaus - Para incentivar a inclusão no mercado de trabalho e o empreendedorismo de refugiados e migrantes venezuelanos, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a ONG Hermanitos ofertam cursos profissionalizantes em distintas áreas na capital do Amazonas. A ação iniciada em maio terá mais uma entrega de certificados este mês.

A parceria faz parte do projeto ‘Trabalho Muda Tudo’, que já capacitou cerca de 230 pessoas nas áreas de estética, confeitaria, vendas e refrigeração e ar-condicionado. O intuito é facilitar a independência econômica e a melhoria na qualidade de vida dos beneficiários.

“É muito importante a facilitação dessas capacitações, porque sabemos que muitas vezes há dificuldades de acesso pela questão financeira, que vai desde o transporte até a compra dos materiais de trabalho. Com a parceria com OIM podemos atender esse público, promovendo oportunidades para o acesso qualificado ao mercado de trabalho e geração de renda para suas famílias”, comentou a coordenadora do Hermanitos, Janaína Paiva.

Na primeira etapa do projeto, seis turmas concluíram os cursos profissionalizantes, beneficiando 108 refugiados e migrantes venezuelanos. As aulas foram realizadas na sede do Hermanitos, nas unidades educacionais do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e do Centro de Ensino Técnico (Centec) de Manaus.

Um dos aprendizes beneficiados foi Alejandro, que agora busca uma oportunidade de emprego com carteira assinada. “Trabalhei na Venezuela com refrigeração por 20 anos, mas durante as aulas pude aprender muitas coisas novas sobre sistema de climatização. Toda formação é sempre importante para a melhoria profissional. Dou graças a organização Hermanitos e à OIM pelo apoio que estão prestando”, diz o venezuelano, que também recebeu ferramentas para realizar o seu trabalho.

Além do curso de refrigeração e ar-condicionado, entre os primeiros treinamentos ofertados também havia cursos na área de alimentação, como o de bolo no pote, e estética, incluindo design de sobrancelhas.

Maria Elena foi uma das alunas do curso de bombons e trufas. Ela vive no Brasil há dois anos e desde a chegada no país trabalha no mercado informal com a venda de guloseimas. “Trabalhava como professora antes, mas ainda na Venezuela vendia alguns doces típicos. Aqui tenho vendido bolos, trufas e picolés para conseguir renda para a família. Cursar essas formações é bom para melhorar nossa qualificação profissional”, relata.

Além das capacitações, o projeto prevê a inclusão dos currículos dos beneficiários em um banco de talentos e a sensibilização de empresários para a importância da empregabilidade de trabalhadores e trabalhadoras de origem venezuelana.

Oficinas práticas - Também parceiro da OIM, o Senac, além de sediar alguns treinamentos, promoveu no último mês oficina de criação de currículos para pessoas da Venezuela, ensinando sobre a formatação do documento no Brasil e apoiando cada profissional para destacar suas qualificações. Dicas de postura corporal no ambiente de trabalho, estratégias de apresentação durante entrevistas e formas de busca por vagas de emprego em plataformas online também foram abordadas.

Essas atividades são realizadas com o apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos.