Atividades informativas e recreativas marcam Semana de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas em Roraima

Boa Vista – Em celebração ao Dia Mundial e Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, marcado em 30 de julho, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) promoveu atividades em Boa Vista e Pacaraima durante a semana em alusão ao tema e à sua prevenção.

O recrutamento, transporte ou acolhimento de pessoas, por meio de ameaça ou uso da força para fins de trabalho forçado, adoção ilegal, exploração sexual e remoção de órgãos são alguns exemplos do tráfico de pessoas. De acordo com Dados Colaborativos de Enfrentamento ao Tráfico (CDCT, na sigla em inglês), 155 mil pessoas foram vítimas entre 2020 e 2021.

Nas ações de Boa Vista, refugiados e migrantes venezuelanos participaram de sessões informativas na área de documentação do Posto de Interiorização e Triagem (PTRIG) e no pré-embarque antes das viagens da Estratégia de Interiorização do Governo Federal. O objetivo é fomentar conhecimento sobre os riscos de propostas emprego que pareçam vantajosas, promessas de ajuda e ofertas de empréstimo que possam levar ao tráfico.

De acordo com a coordenadora de Proteção da OIM, Giulia Camporez, a realização da Semana de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas reforça a importância do debate sobre um crime ainda pouco visibilizado.

“É necessário garantir a informação para prevenir e indicar os mecanismos de denúncia e assistência à vítima, especialmente de pessoas em situações de vulnerabilidades e grupos específicos, como crianças e adolescentes, mulheres e população LGBT. O enfrentamento ao tráfico de pessoas é um dos compromissos mais importantes da nossa agenda, e precisa ser contínuo e com envolvimento com atores do poder público local, agências da ONU e sociedade civil”, explicou.

Dois documentários foram exibidos no Cine Rodoviária, com apoio da ONG Refúgio 343, com a participação de 30 pessoas que se encontram na Área de Pernoite. Os longas “Promeso Falso” e “ 3 años, 2 días, 1 salida” retratam a vivência de vítimas que foram exploradas. Depois das sessões, os participantes debateram o tema com as equipes de proteção.

“É muito impressionante saber que isso existe e vermos que somos vulneráveis, pois saímos do nosso país em busca de um futuro e pode ocorrer algo assim. Lembro que vi ofertas na internet para trabalho e até disse para as pessoas terem cuidado, hoje vejo que poderia ser algo do tipo”, afirmou a venezuelana Efen.

Para a população fora de abrigos, a OIM fez sessões informativas com o suporte do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e Exército da Salvação sobre cuidados e os perigos para meninas e mulheres, as mais vulneráveis ao tráfico de pessoas. Materiais ilustrativos com contato para denúncias e onde buscar ajuda foram distribuídos.

“Gostei muito dessa atividade, pois é de muita importância esse tema. Vou falar sobre isso com outras pessoas, tenho um grupo e vou repassar esse conteúdo para eles, para que possam ficar atentos e terem cuidado”, relatou Gisel.

A OIM também organizou em conjunto com o Refúgio 343 uma peça teatral no refeitório da rodoviária de Boa Vista sobre o tema, com a encenação de uma pessoa que propõe emprego para três mulheres, mas acaba sendo denunciado por tráfico de pessoas e as vítimas são resgatadas.

A organização participou ainda da Rádio La Voz dos Refugiados junto com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e AVSI, com um podcast que foi reproduzido dentro dos abrigos da Operação Acolhida e na Rodoviária. Em encerramento, a OIM teve representação em um webnário do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) para debater o assunto.

PACARAIMA

No município de Pacaraima, fronteira com a Venezuela, refugiados e migrantes participaram de uma sessão de cinema na Casa São José. A OIM realizou também 13 sessões informativas no PTRIG e para a população desabrigada.

As atividades da OIM contaram com o apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.