À espera do primeiro filho, casal de venezuelanos embarca para o Sul do Brasil: “Serei forte pelo meu filho”

Boa Vista – As mochilas nas costas com roupas e documentos representam o momento de mudança para o jovem casal que atravessa as portas de vidro do Aeroporto Internacional de Boa Vista em busca de uma nova vida em outro município do Brasil. No sétimo mês de gravidez, a pequena família embarca rumo ao Rio Grande do Sul.

Voluntários da Estratégia de interiorização da Operação Acolhida, resposta humanitária do Governo Federal para refugiados e migrantes venezuelanos, Luz e José já tinham em mente os planos que seguiriam ao chegar na cidade de Novo Hamburgo, a mais de 5,4 mil quilômetros de distância da fronteira que separa a Venezuela e o território brasileiro.

A história do casal no Brasil iniciou há mais de um ano, quando Luz entrou no país com apenas 18 anos em busca de melhores condições de vida para ela e a família. Chegou a se estabelecer em Manaus, mas a saudade do namorado a fez voltar para o país de origem e convencê-lo a atravessar para Roraima.

“Voltei para buscá-lo e viver com ele. Dessa viagem, já voltei para o Brasil grávida. No começo, não foi fácil porque logo veio a pandemia, então percorremos um longo caminho até chegarmos aqui para podermos viajar”, relembrou.

Juntos, foram abrigados na Área de Pernoite da Rodoviária de Boa Vista. A situação perdurou por alguns meses até que decidiram iniciar o processo para participar Estratégia da Interiorização.

A esperada ligação da Organização Internacional para as Migrações (OIM) chegou no dia 22 de janeiro confirmando que o casal iria viajar em um voo comercial. O mais importante, iriam pela modalidade de Vaga de Emprego Sinalizada (VES) e José já tinha a garantia de começar a trabalhar ao chegar em Novo Hamburgo.

“A pandemia foi muito difícil porque não podíamos sair para procurar emprego, mas agora eu fico feliz porque estou indo para um novo lugar e teremos uma vida melhor. Quero crescer como pessoa e ajudar minha família, pois a distância é difícil, mas serei forte. Serei forte pelo meu filho”, complementou Luz.

Recomeço

Para José, com apenas 20 anos, deixar a Venezuela e a família foi difícil. A trajetória para chegar até a fronteira com o Brasil durou dez dias entre caronas e caminhadas. Hoje, pensa no futuro ao lado da esposa e do primeiro filho e de já ter a oportunidade de trabalho na cidade de destino.

“Estou demasiadamente feliz desde o dia que recebi a ligação da OIM. Não conseguia dormir com a expectativa da viagem. Agora vou trabalhar e dar mais conforto a minha esposa e ao meu filho, que são minhas prioridades. Viemos ao Brasil para ajudar uns aos outros e aqueles que deixamos na Venezuela”, frisou.

Estabelecida para aliviar as estruturas públicas do estado de Roraima e da Região Norte, especialmente nas áreas de saúde, assistência social e educação, a Estratégia de Interiorização leva voluntariamente os venezuelanos que desejam permanecer no país para outras partes do Brasil. O intuito é de possibilitar um recomeço e ampliar as possibilidades de integração socioeconômicas dessas pessoas. Em conjunto com agências da ONU e organizações da sociedade civil, a Operação Acolhida já beneficiou mais de 46 mil pessoas da Venezuela desde seu início em abril de 2018.

A OIM atua em todas as etapas da interiorização com a Operação Acolhida e fornece cerca de 600 passagens aéreas todos os meses para complementar a capacidade da Operação Acolhida.

As atividades da OIM na estratégia de interiorização são realizadas com apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.